autista I

 

levantar os braços

para correr em volta

em torno do nada

ao léu das asas

a esmo de tudo

filmando o vôo

do beija-flor cego

num gesto vago

 

todos imaginam que não sabe

mas quem sabe, o que, da imaginação?

eu percebo o quanto é sábio

em seu gemido frágil

de pensamentos brancos

em teu sorriso pálido

de felicidade desconexa

autista II

 

alter ego

nada à volta

latu senso

convexo

olhar para dentro

autista

caótico

caos

entrópico

 

olha, fica por aí mesmo

não arrisque um olhar cá pra fora não

e sente-se à direita do Pai,

sem máculas

como um Radamés

 

 

pole position

 

Para que?

Eu quero Mônaco

Se tudo aqui é principado

E não me venham com Interlagos

Pois o meu desejo deságua em rios

Dizem que Piquet foi mais rápido

Mas sem a tua ordem tudo é câmera lenta

Outros dizem que mais rápido foi o Senna

Mas a nossa estória é longa-metragem

De vitórias em vitórias

Saboreamos o nosso pitt stop

 

E agora

Fechem a boca do Galvão

Enquanto beijo você em todas as curvas

Definitivamente minha pole position
empacado

se eu não danço

conforme a musica

tudo fica

sem pé nem cabeça

 

mas se me calo

e engulo

a língua dos homens

me diga

o que é que muda

 

então não danço

não falo

mudo me calo

 

cavalgo a sela

empacado na cola

em desritmia teimosa

do quem sabe até

que a mula torça o rabo

morse

o coraçáo dele

bate em código morse

um ritmo insistente

até então indecifrável

.-.t.-.i.-.ª.-.m.-.o

e aguarda ansiosamente

o calor da tradução

 

ela permanece

fria, com o coração de estátua

calada na estação

 

o trem parte

e o toque cada vez mais fraco

dobra a curva distante

 

bate ainda hoje

um coração em morse

no autômato descompasso

de um código qualquer

abandonado

na linha férrea
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