O moço

 

 

O amor

Assim como o medo

Caminham de mãos dadas

Em silêncio

 

Mas dentro

No fundo

O mar canta segredos

 

O mar no fundo

           no fundo

           é tempestade

 

Portanto a calmaria do sorriso engana

 

Digam

Que o amor é cego

Que o medo estraçalha

Que importa!

 

Olhem o sorriso do moço

Carandiru Love

Teu carcereiro ainda não sabe

Mas eu já invadi o teu pavilhão nove

Fiz-me refém da tua poesia

E cravei o estilete do meu desejo em teu mistério

Amotinei todos os meus beijos em teu socorro

E revesti com azulejos da Espanha

O cinza da tua cela

 

Coloquei a tropa de choque

Dos meus dentes alvos

Como guardiões das tuas línguas

Que lamberam como açoites

O moreno da minha pele

 

Na batalha do cio te deixei exausta

Escancarando as portas da tua muralha

Foram horas de navalha na carne...A fio

 

 

Até que por fim

Entregaste-me lânguida

Com sôfrega volúpia

A tua carta de alforria
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