voe

 

 

Deus é um menino no paraíso

Que segura a linha da arapuca

Na calada da floresta

Sempre à caça de avezinhas incautas

Que famintas de ceia

Não percebem a vida por um fio

Presa ao milésimo de segundo

 

Amiúde

A plumagem é tão bela

Que o menino-deus

extasiado se compadece

E permite ao arco-iris de asas

Saciar-se do seu alimento

E voar para o futuro

 

É por isso que a poesia

E as artes paralelas

Vivem na busca da rara plumagem

Porque é só da beleza

Que os olhos do menino se compadecem

 

mas a mágica é breve, voe!

 

Alerta

 

Fico beleléu

Em saber-me despedindo

Enquanto a parasita homem suicida

Permanece

A fervilhar pelos quatro cantos do planeta

Perfurando-o

Com a sua inexorável cabeça ôca

 

Acho que a lepra almeja

Alcançar as entranhas do mundo

E lá depositar suas fezes

 

Balanço meu semblante cansado

Naquela do deixa pra lá

Afinal

Não gosto mesmo de queijo suíço

 

E desconjuro!

 

Vade besta do apocalipse

Continue a tua obra

Até quem sabe

Desovar um anticristo

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