geringonça

 

estou para menos de geringonça!

 

perdi as rodas da viagem homem

e empaquei neste olhar distraído

das árvores

dos bichos

das coisas

de tudo que é mineral ou vivente

 

estou mais vendo aquilo

que fica para trás de mim

na passagem desse comboio insólito

 

alimento-me de um desassossego

e de um tempo que falta

onde pouco importa as falas

ou o ganido sonso desses cães sem dono

às margens da minha rota

 

para todo lado, os olhos,

arregalam um espanto

sem a tradução dessas bocas

que abrem e fecham mensagens mudas

 

estou para menos de geringonça eu sei

boneca sem braço, carrinho sem mola

vazante

 

o

mar

bebe

dos

rios

que

nadam

em

mim

 

e

vazam

pelo

canto

do

olho

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