< a garça risca a tarde como flecha
:penso:
a graça da meta é não ter direção >
justamente assim,
ele desapareceu sem zumbidos de mosquito
ou letargias de tsé-tsés
abduzido para uma comunidade de seres sem rostos
não daqueles comidos pela lepra, nem,
doentes de saúde, mas,
lisos e pálidos como uma laranja mecânica
e por estarem assim sem lábios,
lóbulos, narinas e
principalmente sem o brilho do olhar símio
dos seres insanos
refletiam estranhezas de fulgores azuis
no silêncio brutal,
mas,
algo se movia no ar
uma sensação de pensamentos que vinham de lá
nos impelia freneticamente a buscar sintonias
na antena pensamental terráquea
mas,
as ondas dessa avalanche cósmica
quebravam sem decifração de códigos
em nossa órbita branca e deserta
e eles estavam
logo ali, naquele espaço negro, desconhecido,
denominado favela
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