mascara neutra

 

um gesto

oh!

desenha no ar

qualquer coisa falsa

 

todo mundo olha

a marionete só quer mostrar as mãos

 

alguma cena não traduzida

enruga o canto dos lábios

e não diz

o que vai no âmago

dessa mímica contorcida

 

olhos vermelhos a cem por hora

perseguem o silêncio das mascaras estranhas

na trilha da robótica ilógica

em câmera lenta

as manequins exibem suas danças

incorpóreas

com suave curvatura de pernas

riem em  baile dos rostos amputados

traçam no mudo braille surdo

um mimo que a alma ejacula

e lança

 

nôh!

 

a boca da atriz não fala

a boca do ator não canta

o beco obscuro do teatro cala

e espanta

com simétrica cênica

os visitantes da sala

 

(registro em monografia na UEL)

 

[ ver mensagens anteriores ]
UOL

Visitante número: