ócio

 

creria eu

no homo desnecessárius

em sagrada duvidas de ócios

 

ora! veja você:

olhai os lírios nos campos

e

passear na abundância

das penas e pétalas nuas

dos pássaros e flores vagabundos

é só o que me dá licença

de ser ainda vivente

confiar em sortes

beber do ar que insufla

comer da água que chuva

arrastar os pés em barro

 

ora! veja você:

olhai as pintassilgos nos cedrinhos

e

cânticos lancilantes

adoçai-me ouvidos de árvores

 

quer saber é de um cansaço imenso

esse arrastar-se em labutas

eu só tenho mãos para literaturas

e é meu o olhar esticado

na abundância das substâncias

e é tudo o mais em minha vida

desnecessário

 

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