fim da linha

 

não tenho mais planos

se é que havia um

a não ser

a representação cotidiana

desse absurdo

deu no que deu

no fundo não era meu

o fim da linha

de tanto que profundo comeu

 

enquanto não sabia, tudo bem

minha língua lambia o mundo

agora me diga

o que eu faço

com essa migalha de segundo

com a avestruz da minha cara escondida

com a náusea rota da derrota

com a perplexidade lógica estampada

na plenitude avassaladora dos insignificantes

 

tarde demais para recuar

o caminho não volta ao ponto da partida

o olho cego no afã da sabedoria

não mira placas de contramão

a esperança sempre foi alcançar

nesse escuro tatear

e decifrar a loucura

de cavalgar o medo

deu no que deu

o fundo falso não era meu

nada de compreensível

no fim da linha do eu

 

 

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