testamento

 

não passei pela minha criança incólume

entre o sim e o não sempre fui o vão

fiz da cabeça o suporte radial da luz

dei asas ao luna park dos mistérios

busquei o dom dos hemisférios e o

meu samurai de golpe único cortou as palavras

antes que dobrassem a língua

e nunca houve incertezas

de encostar-me ao peito o queixo

trouxe na cabeça o elixir da imaginação

eterna e líquida possibilidade de um acender

só de balançar

corri atrás de um tempo que não existiu

em verdade vos digo

fui somente aquele que de mim desistiu

nunca fui em rotinas transmissível

operei por semelhanças ao beijo

e algo de agradável espalhou-se pela minha boca

fui a esfera azul da vaga lembrança

suspensa por milagres em espaços

equilibrada nas gravidades de hálitos vermelhos

deste sol

 

continua..

testamento

 

continuação

 

houve dias de flores brancas

enquanto outros se arrepiaram de gelos

houve um caminhar das luas

e uma tristeza assim de folhas secas ao chão

escorregando dias descalços em brasas

nas paralelepípedos nuas

tudo isso houve

mas a quinta estação

fui eu

macerando o tempo em pó

andarilho de místicos ecos

não sei a quem cheguei

mas quando eu

mensageiro do meu desejo imortal

se de ida e agora para sempre

esquecer-me deste quintal

deixo aqui a minha alma virgem

quarando na varanda do varal

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