poema de Agosto

 

Se soubesse que aqui era isso,

ficaria por lá naquilo,

leite e lodo dos girinos,

 

na possibilidade do eterno ovo infecundo,

um sangue suga do farto alimento em berço esplêndido,

alien disforme de tão maravilhado espetáculo,

 

mas deu que - a sorte venceu - na corrida

com seus quatro membros

dois olhos

de insaciável boca,

e cá estou instrumento da procriação

sem rumo

vagindo parias sem pedir licenças.

 

Agora sou o dente quebrado da minha engrenagem, onde estou a carruagem do massacre não roda e o meu gosto trava a língua, trago uma mão carregada de dicionários, e nem tenho palavras que digam, qual é a dimensão desta oferta, fico só na mímica muda, véu de sombras assopradas pelo olho cego, um olhar que brilha amarelado de risos nas faces vazias de convexas, lábios entreabertos e sós, balbuciantes de êxtases estou, de saber-me incompleto na negação da oferta que os vultos passam e esquecem.

 

Mas...

Ao longo da vida juntei alguns caquinhos

nada que sirva para nada

foi só de birra mesmo

[ ver mensagens anteriores ]
UOL

Visitante número: