O Manto – [série: provocações]

 

O manto de um Senhor criador
Foi a minha primeira proteção a cair por terra
[senti muito frio]
outros mantos depois vieram e
hoje perambulo nu, a olho cru
enlouquecido de incertezas
onde tudo posso e é tão imenso o que posso
que a minha mente apavorada acalma-se

desmancho as substâncias do meu pensamento
e espalho o coalho desse entendimento
por todas as veias do universo
o meu crânio aquece e até onde alcança
o seu esforço esquece

com o tempo também adquiri
essa sensibilidade de prolongamentos,
dos sentimentos esticados além dos sentidos
[os cinco me dados como humano]
e todos os demais adquiridos
das sensações extraterrestres
navego mares e lanço velas
e na escuridão do futuro invento meu próprio manto
recheado de luzes no firmamento

quando o manto protetor caiu
abriu-se um vácuo, com o peso das toneladas ancestrais
que protegem as espécies de suas dúvidas
e o manto caiu não porque eu
com essa tarefa de descobrir-me
quisesse de alguma forma causar mágoas aos crédulos
ou clamar pelas tempestades nos projetos sórdidos
daqueles que alimentam-se como vampiros de aço
em parcerias com as credulidades
não, o manto caiu porque
a ordem natural das minhas coisas era essa
e nem por um segundo me senti maior,
melhor, ou mais feliz,
houve sim um estalar de espantos
de um não saber como fazer o vôo do poder
vôo incrédulo de um beija flor filhote
que caiu do ninho

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