algo de amor

 

 

havia algo de amor

no entrelaçamento da chuva com a mata

uma penetração consentida

de gotas estalando folhas a seco

umedecendo troncos, lambendo bichos, afogando copas

 

havia algo de amor na areia

bebendo os líquidos que escorriam

da sobra azul celeste

ao chão amanhecido de terra ocre

 

havia um transcorrer calmo

nas calhas que alimentavam os risos e os rios

em acasalamentos verdes, escandalosos

 

alguns filhotes prenhes

intumesciam os botões das montanhas

 

agora

se é teu o crânio em vulcão

e não tem solução

arrasta a terra no entorno dos teus lábios

explode o que de cerne encobre

borre as costas dos escritos em branco

ou pode se quiser e preferir

armar o laço das cascavéis no enforcar-se

em sino lânguido de guizos

 

na terra do sol consuma o teu deserto

 

tua cabeça é o vulcão que opera por simpatias

no descanso da cama projeta-se em imensidões de lençóis

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